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Queen of Nothing, Sou apenas um rascunho. Amassado, riscado, jogado fora. Algo imperfeito. Flor do mau Que florece caprichosamente Com um colorido tão maníaco Mesmo que ela seja uma flor tão bela Ela tem espinhos demais e não pode ser tocada


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Polychromatic Snow
sábado, 31 de julho de 2010

Era manhã de inverno, Ikki-kun levantou-se da cama, reclamava algo sobre odiar o inverno. E eu estava ao seu lado, observando-o como sempre. Bagunçava os cabelo azul-marinho, "Ohayou, Ikku-kun!", eu tentei pronunciar, mas ele passou sem me notar. Isso doía um pouco, mas eu estava me acostumando aos poucos. Amor é algo doloroso, não é? Ainda mais doloroso se não é correnspondido. Mas eu não me importo, não me importa se não sou correspondido, o que realmente me importa é estar ao lado do Ikki-kun.
Olhei a janela embaçada pelo frio, do lado de fora, a neve caia suave. Quase sem perceber, desenhei um tubarão e um corvo na janela embaçada. "Pode um peixe amar um pássaro e ser feliz?", somente se o pássaro não souber dos sentimentos do peixe. O frio apagou meu desenho, mas eu não apaguei esse sentimento da minha mente. "Ikki-kun é o pássaro que nos ajudará a voar!" eu gritava para mim mesmo, em minha mente. "Tubarões morrem se saírem da água" Agito me alertou. Ele estava certo, tubarões não saem da água, e pássaros apenas querem o céu. Mas, talvez... No fim do horizonte, o céu e o mar se juntem.
Da cozinha ouvia-se gritos, vozes femininas e uma masculina se juntavam em reclamações. Me juntei a eles, me sentando ao lado do Ikki. "Você está estranhamente quieto hoje, Akito." Ikki-kun comentou. Aah, então ele notou algo de diferente! Senti meus olhos brilharem. "Você está querendo pegar o meu arroz, não é? Sabe quanto tempo faz desde que comi arroz pela última vez?" ele não poderia por um momento se importar mais comigo do que com a tigela de arroz? Com certeza, seu estômago falava mais alto do que eu.
No caminho para a escola, o silêncio reinava em toda curva e reta. Ikki-kun andava com as mãos nos bolsos, e o céu era claramente refletido nos seus olhos azuis. Olhos azuis que eu amava, olhos que nunca me olhavam. "Ikki-kun." chamei-o, e este prontamente respondeu com um "huh?", seus olhos azuis fixos nos meus castanhos. "O que o céu tem de tão atraente?" o silêncio fez-se novamente presente, mas era o silêncio que antecediam grandes acontecimentos. "A sensação de infinito? Ou talvez, seja o esforço que você faz para chegar até ele" ele dizia, levantando a mão direita para o céu, enquanto a esquerda permanecia em seu bolso. E o rosto sério, transformou-se em um largo sorriso. Um sorriso para mim. O sorriso se multiplicou quando devolvi, e este permaneceu em meu rosto.
No colégio, me fazia surdo para as palavras da professora. Observava a neve que caia incessantemente, ela caia como lágrimas em forma de neve. Mas, por que o céu estaria chorando? Talvez por amores não concretrizados. Um sorriso desabrochou em meu rosto. Está certo, não está? Um peixe não pode amar um pássaro. E tudo o que o peixe pode fazer, é manter seus olhos fixos no céu, para ver seu amado pássaro.
Os dias passaram-se lentos, mas aos poucos se tornaram semanas. Duas semanas, para ser exato. A neve ainda caia, mas agora para todos os lados em que se olhava, via-se o branco que a cada segundo ficava mais branco. E eu observava quieto pela janela, até que ouvi a voz de Ikki chamar-me "que tal ir comigo praticar um pouco?", ele disse. Assenti com a cabeça, e nós fomos até um lago. As árvores estavam mortas, e era como se seus galhos segurassem delicados recém nascidos. O lago estava congelado, e o gelo brilhava quando a luz do sol se refletia nele.
- Eu não consigo andar nessa neve escorregadia ! - Ikki reclamava. Do céu alto, vinha um corvo. E por debaixo do gelo na água, viam-se peixes. O corvo voou sobre o gelo, como se procurasse algum peixe. Então... Eu estou errado. Um peixe pode amar um pássaro, não importando a distância.


Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar,
Tirava o Akito-kun do fundo do mar.
Mas como não sou peixe e nem sei nadar,
só resta à mim, te observar.

Notas: A história está postada também na minha conta no Nyah, Chiharu-chan.

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