Era manhã de inverno,
Ikki-
kun levantou-se da cama, reclamava algo sobre odiar o inverno. E eu estava ao seu lado, observando-o como sempre.
Bagunçava os cabelo azul-marinho, "
Ohayou,
Ikku-
kun!", eu tentei pronunciar, mas ele passou sem me notar. Isso
doía um pouco, mas eu estava me acostumando aos poucos. Amor é algo doloroso, não é? Ainda mais doloroso se não é
correnspondido. Mas eu não me importo, não me importa se não sou
correspondido, o que realmente me importa é estar ao lado do
Ikki-
kun.
Olhei a janela
embaçada pelo frio, do lado de fora, a neve caia suave. Quase sem
perceber, desenhei um tubarão e um corvo na janela
embaçada. "Pode um peixe amar um pássaro e ser feliz?", somente se o pássaro não souber dos sentimentos do peixe. O frio apagou meu desenho, mas eu não apaguei esse sentimento da minha mente. "
Ikki-
kun é o pássaro que nos ajudará a voar!" eu gritava para mim mesmo, em minha mente. "Tubarões morrem se
saírem da água" Agito me alertou. Ele estava certo, tubarões não saem da água, e pássaros apenas querem o céu. Mas, talvez... No fim do horizonte, o céu e o mar se juntem.
Da cozinha ouvia-se gritos, vozes
femininas e uma masculina se juntavam em reclamações. Me juntei a eles, me sentando ao lado do
Ikki. "Você está estranhamente
quieto hoje,
Akito."
Ikki-
kun comentou.
Aah, então ele notou algo de diferente! Senti meus olhos brilharem. "Você está querendo pegar o meu arroz, não é? Sabe quanto tempo faz desde que comi arroz pela última vez?" ele não poderia por um momento se importar mais comigo do que com a tigela de arroz? Com certeza, seu estômago falava mais alto do que eu.
No caminho para a escola, o silêncio reinava em toda curva e
reta.
Ikki-
kun andava com as mãos nos bolsos, e o céu era claramente
refletido nos seus olhos azuis. Olhos azuis que eu amava, olhos que nunca me olhavam. "
Ikki-
kun." chamei-o, e este prontamente respondeu com um "
huh?", seus olhos azuis fixos nos meus castanhos. "O que o céu tem de tão atraente?" o silêncio fez-se novamente presente, mas era o silêncio que antecediam grandes acontecimentos. "A sensação de infinito? Ou talvez, seja o esforço que você faz para chegar até ele" ele dizia, levantando a mão direita para o céu, enquanto a esquerda permanecia em seu bolso. E o rosto sério, transformou-se em um largo sorriso. Um sorriso para mim. O sorriso se multiplicou quando devolvi, e este permaneceu em meu rosto.
No colégio, me fazia surdo para as palavras da professora. Observava a neve que caia incessantemente, ela caia como lágrimas em forma de neve. Mas, por que o céu estaria chorando? Talvez por amores não
concretrizados. Um sorriso desabrochou em meu rosto. Está certo, não está? Um peixe não pode amar um pássaro. E tudo o que o peixe pode fazer, é manter seus olhos fixos no céu, para ver seu amado pássaro.
Os dias passaram-se lentos, mas aos poucos se tornaram semanas. Duas semanas, para ser
exato. A neve ainda caia, mas agora para todos os lados em que se olhava, via-se o branco que a cada segundo ficava mais branco. E eu observava quieto pela janela, até que ouvi a voz de
Ikki chamar-me "que tal ir comigo praticar um pouco?", ele disse. Assenti com a cabeça, e nós fomos até um lago. As
árvores estavam mortas, e era como se seus galhos segurassem delicados
recém nascidos. O lago estava congelado, e o gelo brilhava quando a luz do sol se
refletia nele.
- Eu não consigo andar nessa neve
escorregadia ! -
Ikki reclamava. Do céu alto, vinha um corvo. E por debaixo do gelo na água, viam-se peixes. O corvo voou sobre o gelo, como se procurasse algum peixe. Então... Eu estou errado. Um peixe pode amar um pássaro, não importando a distância.
Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar,
Tirava o Akito-kun do fundo do mar.
Mas como não sou peixe e nem sei nadar,
só resta à mim, te observar.
Notas: A história está postada também na minha conta no Nyah, Chiharu-chan.
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