Feliz dia das bruxas.
domingo, 31 de outubro de 2010
Se sentou na fonte, na área aberta do hospital. Era dia 31 de outubro e o sol brilhava forte.
- Feliz dia das bruxas - disse à ninguém. Feliz para quem? A única pessoa que o interessava havia acabado de "vir a óbito".
Diga logo que ela morreu, porra. Maldito câncer.
- Feliz dias bruxas, tio! - uma garota pequena surgiu ao seu lado. Ela não tinha cabelos, um máscara cirúriga cobria sua boca. Mas isso não tirava sua beleza infantil, sua inocencia ao segurar o urso de pelúcia e o saco de doces.
- Você não deveria falar com estranhos - disse o homem, segurando o maço de cigarros. A menina riu, se sentando ao seu lado.
- Está tudo bem. - Ela disse, abriu o saco de doces, pegou chocolate em forma de tartaruga.
- Como sabe? - o homem fumava, olhando o céu. Odiava crianças.
- Por que você não pode me deixar pior do que eu já estou. - o homem a olhou - O ursinho pediu para falar que fumar vai te dar câncer.
A garota apontou o urso sorrindo. O homem apagou o cigarro, esmagando-o com o pé.
As crianças de hoje são assim, hm?
- Eu sou uma princesa, e você? - Ah, ela queria ser uma princesa. Então ainda havia salvação. A menina o olhava enquanto comia.
- Eu sou um vampiro. - o homem respondeu.
- Oh! Ser um vampiro deve ser triste. Não se morre nunca - Ah, crianças de hoje ão tão estranhas! - Eu sei que vou morrer cedo, por isso aprendi a não gostar de nada imortal.
- Não deveria falar assim. Aposto que seus pais te amam e te querem viva.
- Eles deveriam descançar. Cuidar de uma criança doente não é bom. - pela primeira vez, a garota pareceu triste.
- Eu perdi alguém importante hoje. Você tem idéia do peso da palavra "morte", garota? Se não tem, não se conforme com isso tão fácil.
A menina soltou uma leve exclamação de surpresa. Levanto-se e se colocou frente ao homem, vasculhando o saco de doces até tirar um chocolate de tartaruga.
- O ursinho disse "não fique triste. Viva sua vida, por que esperar por uma pessoa que não virá é doloroso" - ela sorriu. Alegremente triste. - Comece pelas patas, depois coma a cabeça e por ultimo, o corpo. Tchau!
A garota jogou o chocolate nas mãos do homem e correu para longe antes que ele reagisse. Ele guardou o chocolate, acendeu um cigarro e o tragou profunda e demoradamente.
Malditas crianças.
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Notas - Aprendam: Crianças de hoje são endiabradas.
Pessoas estão doentes, mesmo nas épocas comemorativas e depois delas.
E, preciso repetir como se como um chocolate de tartaruga? q
Feliz Halloween ~
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Dancing with the Devil
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Say goodbye,
As we dance with the devil tonight
Don't you dare look at him in the eye
As we dance with the devil tonight
Dance
with the Devil -
Breaking Benjamin.
A casa era grande. Confortável, luxuosa. Mesmo que não quem não soubesse toda a história, não poderia dizer que ignorância e pobreza foram as causas dos eventos ali ocorridos num verão da década de 90. Era uma tarde abafada, mas no porão da casa estava fresco. A garota estava sentada ao lado do tanque de água, esperando que
enchesse até a borda. Dentro daquele
vestidinho branco, havia um corpo pequeno e machucado. Dolorido, roxo.
Nunca mais. Nunca mais, papai.
Eles a encontraram morta algum tempo depois. Pálida, pele enrugada, olhos fechados. Suicídio e violência sexual, foi o que os especialistas disseram.
-- Só os dois moravam aqui? - perguntou um
policial enquanto deixava a casa.
-- A mãe e a irmã mais velha sumiram, aparentemente também sofriam violência.
Deu um ultimo olhar para a casa. Um ultimo olhar no corpo pequeno. Um sentimento de pesar fez com que piscasse os olhos. Pobre garota, pensou.
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O vento entrava frio por entre as grades da cela. 4 anos naquele lugar horrível era tempo o suficiente para se acostumar a isso. Mas nunca se acostumaria aquele pesadelo que era obrigado a passar todas as noites. Sentia que a cada dia, perdia um pouco mais da sanidade. Ela estaria nas sombras
projetadas na parede no fim de tarde, ou seria ela o som de riso infantil que o seguia por todo lugar?
O vento continuara, mas agora não importava. Todo o lugar ficara quente, abafado.
Exatamente como naquela tarde verão. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, e então o som de choro. Deus, por favor, não permita.Ele nunca fora religioso. Até os seus 35 anos, nem sabia rezar o pai-nosso direito. Mas agora, aquilo se fazia de extrema importância. Era a sua única
proteção, aquilo que impedia que ela o tocasse.
Soluços, choro infantil.
-- Papai, você não me ama mais? - Ela finalmente apareceu. Aquele
vestidinho branco lhe colando o corpo, a pele enrugada e branca. Enormes olhos vermelhos de choro, lágrimas espessas de sangue. Tão horrível, ela se aproxima em passos lentos. O homem grita uma mistura de desespero e medo.
-- Não se aproxime de mim, seu monstro horrível! - Ele gritou, segurando uma bíblia frente ao corpo, como uma barreira. A garota parou, arregalou os olhos de modo que pareciam que iam saltar de suas órbitas. Sua expressão se converteu em algo de dor extrema e ela gritou.
-- Papai, você é tão cruel! - as lágrimas rolavam pelo rosto, o cheiro de ferro se tornando cada vez pior. O homem sentiu como se uma mão lhe pressionasse o pescoço -- Você me machucou tanto, e continua me machucando até agora!
O homem estava completamente prensado contra a parede, os olhos se revirando. Desesperado pelo ar, com cada pedaço do corpo
doendo. A menina continuava chorando. Sentiu os golpes de força sobre-humana lhe acertarem.
-- Isso ainda dói tanto, papai. Tanto. - ela colocou as mãos sobre o coração. Abaixou a cabeça, os soluços cessaram aos poucos e um leve riso malicioso se tornou audível, logo levantou novamente o rosto exibindo um sorriso maldoso.
Demôniaco. Seus olhos brilhavam assustadoramente. -- Mas agora você vai sofrer tanto quanto eu.
O homem gritou alto, o tipo de grito que não tem seu ímpeto nas cordas vocais : tem seu impulso na alma.
Desespero, dor, medo. Seus mais primitivos instintos de
sobrevivencia gritando. O homem sentiu o coração falhar. Mas não, ele não pararia agora. Seus batimento cessaram apenas por tempo suficiente para que ele se
contorcesse, num suposto ultimo movimento de vida. Para depois voltar a bater rápido, tão rápido que poderia se estilhaçar em milhares de pedaços
ensanguentados.
Olhou dentro daquele olhos, e viu todo aquele ódio se misturando com dor dentro da garota. Cicatrizes que ele deixou, e que a faziam ter nojo do próprio corpo.
Ele gritava. Ela chorava.
Ódio e medo se juntando numa coloração vermelha que se transforma em lágrimas.
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Esmerar. ~
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Com os olhos fechados, aos poucos fui começando a sentir meu corpo. Estava frio, dormente e deitado em algo gelado. Abri os olhos, e a luz não me cegou.
"Milagre, Milagre!" o homem saltitou, a voz feliz. A
dormência foi diminuindo, até que por fim me sentei na mesa. A minha cabeça estava vazia, e, o único dado que eu tinha era : ele me criou. Por longos minutos, observei-o e observei o meu corpo. A flexibilidade dos dedos, a textura da pele, a cor dos cabelos: Tudo parecia ter sido feito para combinar perfeitamente. O homem parou a minha frente, uma expressão estranha no rosto. "Quer saber? Isso é tão maravilhoso que faz meu coração bater forte". Ele sorriu. A expressão estranha era um sorriso.
"Coração...?" perguntei, lhe tocando o rosto. Ele parecia surpreso, e então o sorriso aumentou. Ele colocou a mão em mim, e então eu entendi o que era o calor. "O coração é algo que você não tem" ele disse "você não entenderá".
Com o tempo, como um diamante, fui sendo lapidada por ele. Todos os dias, aprendia algo novo e percebia que haviam inúmeras coisas que eu nunca entenderia. O criador chamou isso de Sentimentos. Mesmo tentando descobrir mais sobre eles, não conseguia. Sentir era impossível para mim, então desisti.
Da janela do laboratório, eu observava um enorme árvore que havia do lado de fora. Inúmeras vezes vi suas folhas se tornarem vermelhas e
caírem, para depois florescer novamente. O criador assistia aquilo comigo, e sempre me dizia "A primavera é o começo, onde tudo floresce. No verão, tudo está vivo e crescendo. No outono se percebe que o Inverno está próximo, a vida é tão curta! A morte se aproxima de nós aos poucos, sem percebemos. E então chega o inverno, que é a morte. Sentada ao nosso lado, sorridente, percebemos que não há o que fazer, a não ser se entregar a ela" ele sempre sorria no final, passava a mão pelo meu cabelo e dizia "mas não para você, pequena. O tempo para você é infinito".
" Criador " me aproximei da sua mesa, observando o seu trabalho. Ele me olhou como costumava fazer. " Eu quero um coração ". Ele parou tudo o que estava fazendo, e inclinou de leve a cabeça. "Você quer..." ele repetiu, pensativo. "Um coração" completei.
Durante algum tempo, o criador parou de me ensinar coisas e se dedicou inteiramente ao meu coração. Eu observava o seu trabalho, e como ele estava ficando diferente a cada dia. Os cabelos pretos agora eram cinza e deveria usar óculos caso quisesse enxergar algo. Mas, mesmo assim, ele nunca desistiu. Nem quando as suas costas
doíam ele se empenhava menos. Eu simplesmente não entendia o por quê.
Era primavera. Eu podia sentir o calor do sol, podia ver as flores do lado de fora. Mas ele não podia. O criador estava num cama havia algumas semanas, sem conseguir nem se levantar sozinho. " O mundo é realmente
irônico,
nee Kiseki?" fiz que sim com a cabeça "Quem diria que eu encontraria o meu fim, na estação que deveria ser um começo?". Ele fez algo que nunca o vi fazer antes. Ele chorou. Tão silenciosa,
tímida e verdadeiramente. Sem nem tentar se conter, ou fazê-las parar. Andei até ele, toquei em seu rosto "Você está chorando". Ele sorriu, mesmo com todas aquelas
lágrimas escorrendo pelo o seu rosto. Até quando ele pretende sorrir?
"
Aah, é um milagre, não é? ~ " ele desviou o rosto, finalmente secando-o "tão milagroso quanto o seu coração estar pronto". Eu não ouvi mais o que ele disse. Meu coração estava pronto, e tudo o que eu queria era prová-lo logo. Mas ele me proibiu. Me fez prometer que apenas quando ele morresse, eu o provaria. Eu perguntei o que era morrer.
Alguns dias depois eu descobri o que era. O criador dormiu e nunca mais acordou. "
Kiseki, estou cansado agora. Por favor me deixe dormir" foi a ultima coisa que ele disse. Eu gostaria de ter dito Boa noite. Eu me sentei no chão, aquela caixa metálica nas minhas pernas. Abri e encontrei um pequeno chip vermelho. Abri o compartimento no meu braço esquerdo, e o coloquei.
Diferente. Os braços afastaram-se num espasmo. A boca se abrindo em fechando em busca de ar. Olhos quentes. Criador, o que está acontecendo? Levei as mãos
tremulas até o peito, que estava diferente. Eu sentia algo batendo. As lágrimas corriam quentes pelo rosto. Criador, acho que vou explodir. Isto é grande demais para mim. Diante dos meus olhos eu via fragmentos de memórias com o criador. Corri até o seu quarto, me lembrei de que ele não estava mais lá. Por que ele estava morto.
Eu entendo agora, Criador, o por quê de ter me criado. Ser sozinho é doloroso, não é? Eu chorei apoiada naquela cama. Eu corri pelo caminho até onde você estaria, eu sujei o vestido que você fez para mim com tanto amor. Era isso o quê você sentia por mim, não era?
Minhas pernas
fraquejaram e eu cai junto a você.
Ne, Criador, ter um coração é um milagre doloroso.
[Kiseki = Milagre]
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