Pelas ruas da cidade, o cheiro de asfalto molhado perfumava. Nas janelas do
metro, os vultos passavam apressados e sem foco. Lá fora, a chuva castigava, o frio fazia suas mãos ficaram geladas e fazia a paisagem cinzenta da cidade parecer ainda mais fria. Os prédios cinza, as gotas de chuva cinza, os corações cinza. Menos o meu querido. Naquele lugar que era feito de sombras, o meu coração era o único vermelho. Vermelho,
pulsante, vivo. Minhas mãos estavam geladas e as suas também, talvez as suas estivessem ainda mais geladas, mas você dizia não sentir frio. Eu sentia o cheiro do cigarro infectando suas roupas, mas amor, você sabe que eu nunca me importei. Era cedo, por volta de cinco horas da tarde, mas as espessas nuvens de chuva não deixavam que a luz do sol nos atingisse. O sono me acariciava, cantando nos meus ouvidos para que eu dormisse, e você não dizia nada sobre minha cabeça encostada no seu ombro, apenas segurava minhas mãos gélidas. Minha mente se perguntava que cor estaria seu coração naquele momento: cinza como a chuva, vermelho como o meu?
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