Say goodbye,
As we dance with the devil tonight
Don't you dare look at him in the eye
As we dance with the devil tonight
Dance
with the Devil -
Breaking Benjamin.
A casa era grande. Confortável, luxuosa. Mesmo que não quem não soubesse toda a história, não poderia dizer que ignorância e pobreza foram as causas dos eventos ali ocorridos num verão da década de 90. Era uma tarde abafada, mas no porão da casa estava fresco. A garota estava sentada ao lado do tanque de água, esperando que
enchesse até a borda. Dentro daquele
vestidinho branco, havia um corpo pequeno e machucado. Dolorido, roxo.
Nunca mais. Nunca mais, papai.
Eles a encontraram morta algum tempo depois. Pálida, pele enrugada, olhos fechados. Suicídio e violência sexual, foi o que os especialistas disseram.
-- Só os dois moravam aqui? - perguntou um
policial enquanto deixava a casa.
-- A mãe e a irmã mais velha sumiram, aparentemente também sofriam violência.
Deu um ultimo olhar para a casa. Um ultimo olhar no corpo pequeno. Um sentimento de pesar fez com que piscasse os olhos. Pobre garota, pensou.
--------------------------------------------------------------------------------------
O vento entrava frio por entre as grades da cela. 4 anos naquele lugar horrível era tempo o suficiente para se acostumar a isso. Mas nunca se acostumaria aquele pesadelo que era obrigado a passar todas as noites. Sentia que a cada dia, perdia um pouco mais da sanidade. Ela estaria nas sombras
projetadas na parede no fim de tarde, ou seria ela o som de riso infantil que o seguia por todo lugar?
O vento continuara, mas agora não importava. Todo o lugar ficara quente, abafado.
Exatamente como naquela tarde verão. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, e então o som de choro. Deus, por favor, não permita.Ele nunca fora religioso. Até os seus 35 anos, nem sabia rezar o pai-nosso direito. Mas agora, aquilo se fazia de extrema importância. Era a sua única
proteção, aquilo que impedia que ela o tocasse.
Soluços, choro infantil.
-- Papai, você não me ama mais? - Ela finalmente apareceu. Aquele
vestidinho branco lhe colando o corpo, a pele enrugada e branca. Enormes olhos vermelhos de choro, lágrimas espessas de sangue. Tão horrível, ela se aproxima em passos lentos. O homem grita uma mistura de desespero e medo.
-- Não se aproxime de mim, seu monstro horrível! - Ele gritou, segurando uma bíblia frente ao corpo, como uma barreira. A garota parou, arregalou os olhos de modo que pareciam que iam saltar de suas órbitas. Sua expressão se converteu em algo de dor extrema e ela gritou.
-- Papai, você é tão cruel! - as lágrimas rolavam pelo rosto, o cheiro de ferro se tornando cada vez pior. O homem sentiu como se uma mão lhe pressionasse o pescoço -- Você me machucou tanto, e continua me machucando até agora!
O homem estava completamente prensado contra a parede, os olhos se revirando. Desesperado pelo ar, com cada pedaço do corpo
doendo. A menina continuava chorando. Sentiu os golpes de força sobre-humana lhe acertarem.
-- Isso ainda dói tanto, papai. Tanto. - ela colocou as mãos sobre o coração. Abaixou a cabeça, os soluços cessaram aos poucos e um leve riso malicioso se tornou audível, logo levantou novamente o rosto exibindo um sorriso maldoso.
Demôniaco. Seus olhos brilhavam assustadoramente. -- Mas agora você vai sofrer tanto quanto eu.
O homem gritou alto, o tipo de grito que não tem seu ímpeto nas cordas vocais : tem seu impulso na alma.
Desespero, dor, medo. Seus mais primitivos instintos de
sobrevivencia gritando. O homem sentiu o coração falhar. Mas não, ele não pararia agora. Seus batimento cessaram apenas por tempo suficiente para que ele se
contorcesse, num suposto ultimo movimento de vida. Para depois voltar a bater rápido, tão rápido que poderia se estilhaçar em milhares de pedaços
ensanguentados.
Olhou dentro daquele olhos, e viu todo aquele ódio se misturando com dor dentro da garota. Cicatrizes que ele deixou, e que a faziam ter nojo do próprio corpo.
Ele gritava. Ela chorava.
Ódio e medo se juntando numa coloração vermelha que se transforma em lágrimas.
Marcadores: Just a Little, One short
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
0 Comentários:
<< Página inicial