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Queen of Nothing, Sou apenas um rascunho. Amassado, riscado, jogado fora. Algo imperfeito. Flor do mau Que florece caprichosamente Com um colorido tão maníaco Mesmo que ela seja uma flor tão bela Ela tem espinhos demais e não pode ser tocada


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Dancing with the Devil
quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Say goodbye,
As we dance with the devil tonight
Don't you dare look at him in the eye
As we dance with the devil tonight

Dance with the Devil - Breaking Benjamin.


A casa era grande. Confortável, luxuosa. Mesmo que não quem não soubesse toda a história, não poderia dizer que ignorância e pobreza foram as causas dos eventos ali ocorridos num verão da década de 90. Era uma tarde abafada, mas no porão da casa estava fresco. A garota estava sentada ao lado do tanque de água, esperando que enchesse até a borda. Dentro daquele vestidinho branco, havia um corpo pequeno e machucado. Dolorido, roxo.
Nunca mais. Nunca mais, papai.
Eles a encontraram morta algum tempo depois. Pálida, pele enrugada, olhos fechados. Suicídio e violência sexual, foi o que os especialistas disseram.
-- Só os dois moravam aqui? - perguntou um policial enquanto deixava a casa.
-- A mãe e a irmã mais velha sumiram, aparentemente também sofriam violência.
Deu um ultimo olhar para a casa. Um ultimo olhar no corpo pequeno. Um sentimento de pesar fez com que piscasse os olhos. Pobre garota, pensou.

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O vento entrava frio por entre as grades da cela. 4 anos naquele lugar horrível era tempo o suficiente para se acostumar a isso. Mas nunca se acostumaria aquele pesadelo que era obrigado a passar todas as noites. Sentia que a cada dia, perdia um pouco mais da sanidade. Ela estaria nas sombras projetadas na parede no fim de tarde, ou seria ela o som de riso infantil que o seguia por todo lugar?
O vento continuara, mas agora não importava. Todo o lugar ficara quente, abafado. Exatamente como naquela tarde verão. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, e então o som de choro. Deus, por favor, não permita.Ele nunca fora religioso. Até os seus 35 anos, nem sabia rezar o pai-nosso direito. Mas agora, aquilo se fazia de extrema importância. Era a sua única proteção, aquilo que impedia que ela o tocasse.
Soluços, choro infantil.
-- Papai, você não me ama mais? - Ela finalmente apareceu. Aquele vestidinho branco lhe colando o corpo, a pele enrugada e branca. Enormes olhos vermelhos de choro, lágrimas espessas de sangue. Tão horrível, ela se aproxima em passos lentos. O homem grita uma mistura de desespero e medo.
-- Não se aproxime de mim, seu monstro horrível! - Ele gritou, segurando uma bíblia frente ao corpo, como uma barreira. A garota parou, arregalou os olhos de modo que pareciam que iam saltar de suas órbitas. Sua expressão se converteu em algo de dor extrema e ela gritou.
-- Papai, você é tão cruel! - as lágrimas rolavam pelo rosto, o cheiro de ferro se tornando cada vez pior. O homem sentiu como se uma mão lhe pressionasse o pescoço -- Você me machucou tanto, e continua me machucando até agora!
O homem estava completamente prensado contra a parede, os olhos se revirando. Desesperado pelo ar, com cada pedaço do corpo doendo. A menina continuava chorando. Sentiu os golpes de força sobre-humana lhe acertarem.
-- Isso ainda dói tanto, papai. Tanto. - ela colocou as mãos sobre o coração. Abaixou a cabeça, os soluços cessaram aos poucos e um leve riso malicioso se tornou audível, logo levantou novamente o rosto exibindo um sorriso maldoso. Demôniaco. Seus olhos brilhavam assustadoramente. -- Mas agora você vai sofrer tanto quanto eu.
O homem gritou alto, o tipo de grito que não tem seu ímpeto nas cordas vocais : tem seu impulso na alma. Desespero, dor, medo. Seus mais primitivos instintos de sobrevivencia gritando. O homem sentiu o coração falhar. Mas não, ele não pararia agora. Seus batimento cessaram apenas por tempo suficiente para que ele se contorcesse, num suposto ultimo movimento de vida. Para depois voltar a bater rápido, tão rápido que poderia se estilhaçar em milhares de pedaços ensanguentados.
Olhou dentro daquele olhos, e viu todo aquele ódio se misturando com dor dentro da garota. Cicatrizes que ele deixou, e que a faziam ter nojo do próprio corpo.
Ele gritava. Ela chorava.
Ódio e medo se juntando numa coloração vermelha que se transforma em lágrimas.

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