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Queen of Nothing, Sou apenas um rascunho. Amassado, riscado, jogado fora. Algo imperfeito. Flor do mau Que florece caprichosamente Com um colorido tão maníaco Mesmo que ela seja uma flor tão bela Ela tem espinhos demais e não pode ser tocada


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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Com os olhos fechados, aos poucos fui começando a sentir meu corpo. Estava frio, dormente e deitado em algo gelado. Abri os olhos, e a luz não me cegou.
"Milagre, Milagre!" o homem saltitou, a voz feliz. A dormência foi diminuindo, até que por fim me sentei na mesa. A minha cabeça estava vazia, e, o único dado que eu tinha era : ele me criou. Por longos minutos, observei-o e observei o meu corpo. A flexibilidade dos dedos, a textura da pele, a cor dos cabelos: Tudo parecia ter sido feito para combinar perfeitamente. O homem parou a minha frente, uma expressão estranha no rosto. "Quer saber? Isso é tão maravilhoso que faz meu coração bater forte". Ele sorriu. A expressão estranha era um sorriso.
"Coração...?" perguntei, lhe tocando o rosto. Ele parecia surpreso, e então o sorriso aumentou. Ele colocou a mão em mim, e então eu entendi o que era o calor. "O coração é algo que você não tem" ele disse "você não entenderá".
Com o tempo, como um diamante, fui sendo lapidada por ele. Todos os dias, aprendia algo novo e percebia que haviam inúmeras coisas que eu nunca entenderia. O criador chamou isso de Sentimentos. Mesmo tentando descobrir mais sobre eles, não conseguia. Sentir era impossível para mim, então desisti.
Da janela do laboratório, eu observava um enorme árvore que havia do lado de fora. Inúmeras vezes vi suas folhas se tornarem vermelhas e caírem, para depois florescer novamente. O criador assistia aquilo comigo, e sempre me dizia "A primavera é o começo, onde tudo floresce. No verão, tudo está vivo e crescendo. No outono se percebe que o Inverno está próximo, a vida é tão curta! A morte se aproxima de nós aos poucos, sem percebemos. E então chega o inverno, que é a morte. Sentada ao nosso lado, sorridente, percebemos que não há o que fazer, a não ser se entregar a ela" ele sempre sorria no final, passava a mão pelo meu cabelo e dizia "mas não para você, pequena. O tempo para você é infinito".
" Criador " me aproximei da sua mesa, observando o seu trabalho. Ele me olhou como costumava fazer. " Eu quero um coração ". Ele parou tudo o que estava fazendo, e inclinou de leve a cabeça. "Você quer..." ele repetiu, pensativo. "Um coração" completei.
Durante algum tempo, o criador parou de me ensinar coisas e se dedicou inteiramente ao meu coração. Eu observava o seu trabalho, e como ele estava ficando diferente a cada dia. Os cabelos pretos agora eram cinza e deveria usar óculos caso quisesse enxergar algo. Mas, mesmo assim, ele nunca desistiu. Nem quando as suas costas doíam ele se empenhava menos. Eu simplesmente não entendia o por quê.
Era primavera. Eu podia sentir o calor do sol, podia ver as flores do lado de fora. Mas ele não podia. O criador estava num cama havia algumas semanas, sem conseguir nem se levantar sozinho. " O mundo é realmente irônico, nee Kiseki?" fiz que sim com a cabeça "Quem diria que eu encontraria o meu fim, na estação que deveria ser um começo?". Ele fez algo que nunca o vi fazer antes. Ele chorou. Tão silenciosa, tímida e verdadeiramente. Sem nem tentar se conter, ou fazê-las parar. Andei até ele, toquei em seu rosto "Você está chorando". Ele sorriu, mesmo com todas aquelas lágrimas escorrendo pelo o seu rosto. Até quando ele pretende sorrir?
"Aah, é um milagre, não é? ~ " ele desviou o rosto, finalmente secando-o "tão milagroso quanto o seu coração estar pronto". Eu não ouvi mais o que ele disse. Meu coração estava pronto, e tudo o que eu queria era prová-lo logo. Mas ele me proibiu. Me fez prometer que apenas quando ele morresse, eu o provaria. Eu perguntei o que era morrer.
Alguns dias depois eu descobri o que era. O criador dormiu e nunca mais acordou. "Kiseki, estou cansado agora. Por favor me deixe dormir" foi a ultima coisa que ele disse. Eu gostaria de ter dito Boa noite. Eu me sentei no chão, aquela caixa metálica nas minhas pernas. Abri e encontrei um pequeno chip vermelho. Abri o compartimento no meu braço esquerdo, e o coloquei.
Diferente. Os braços afastaram-se num espasmo. A boca se abrindo em fechando em busca de ar. Olhos quentes. Criador, o que está acontecendo? Levei as mãos tremulas até o peito, que estava diferente. Eu sentia algo batendo. As lágrimas corriam quentes pelo rosto. Criador, acho que vou explodir. Isto é grande demais para mim. Diante dos meus olhos eu via fragmentos de memórias com o criador. Corri até o seu quarto, me lembrei de que ele não estava mais lá. Por que ele estava morto.
Eu entendo agora, Criador, o por quê de ter me criado. Ser sozinho é doloroso, não é? Eu chorei apoiada naquela cama. Eu corri pelo caminho até onde você estaria, eu sujei o vestido que você fez para mim com tanto amor. Era isso o quê você sentia por mim, não era?
Minhas pernas fraquejaram e eu cai junto a você. Ne, Criador, ter um coração é um milagre doloroso.

[Kiseki = Milagre]

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By: ~ QueenOfNothing ~

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