Naquele porão velho, quando abri as janelas, os raios de sol refletiram na poeira. Eu brinquei por alguns minutos com aquele feixe luz, criando espirais no ar. Passei meu dedo naqueles móveis velhos, sentindo uma camada negra se formar. Limpei-o no feixe de luz, observando aquela poeira tão nitída se tornar invisível ao alcançar as sombras.
Precisava estar ali, uma ultima vez antes de demolirem. Precisava ver que o lugar que foi palco dos meus maiores pesadelos realmente existia, que não era uma invenção da minha mente. Como em um flash, todas as minhas memórias dançando diante de mim, como em uma valsa diabólica. O som, cheiro, cores vivídos abraçavam-se e tudo se fazia claro ali: acontecimentos gerando outros acontecimentos, por suas vez, mais terríveis que os primeiros. Uma terrível reação em cadeia, onde os fatos se entrelaçavam em um caos vermelho.
Era real. Tudo era real demais. Eu gostaria que continuasse sendo apenas uma ilusão minha. Caminhei em direção a porta, olhei por uma última vez aquele lugar. Tomei impulso e fechei a porta. Esqueça-os, me disse. Esqueça-os até que precise se lembrar de que isso é real.
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Lindo i.i
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