Eu tinha um pássaro. Ele era azul e tinha longas penas no rabo. Eu o amava com todas as minhas forças. Eu me segurava nele, por que era tudo o que eu tinha. Graças a ele eu tinha para onde voltar, por que voltar. Eu tinha algo que eu me amava.
Mas um dia, eu libertei esse pássaro da gaiola que o prendia, e com hesitação, o vi tomar os céus, desapararecendo entre as nuvens. Eu, esperançosa, esperei para que o pássaro voltasse e durante muito, muito tempo eu estive em pé, imovel, esperando que o pássaro voltasse. Eu estive olhando o horizonte até o sol machucar meus olhos, e então, com tristeza, eu percebi que o meu pássaro não iria voltar.
Por que ele nunca fora meu, por que ele nunca me amou.
Por que tudo o que eu tinha era falso.
Mesmo espantada, machucada e sofrendo, eu não podia deixar de olhar para o céu, por que dentro de mim ainda existia uma pequena réstia de esperança. Esperança essa que apenas aumentou o sentimento de frustração diante da minha perda.
E eu sai em busca de algo em que realmente pudesse me segurar. Mas eu nunca deixei de olhar para o céu, procurando.
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